Relatório da ONU: aquecimento de 1,5°C é inevitável

Relatório da ONU de 2026 confirma que o aquecimento de 1,5°C é inevitável; cientistas dizem que só resta limitar a ultrapassagem. Veja os números-chave.

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Edicao: PT

A ONU confirmou que o aquecimento de 1,5°C agora é inevitável, segundo o Relatório sobre a Lacuna de Emissões de 2026, publicado em 21 de outubro. Cientistas dizem que não resta trajetória de emissões capaz de manter o planeta abaixo do limite do Acordo de Paris, uma falha histórica nos esforços climáticos.

O que diz o relatório?

Intitulado Limiting Overshoot, é o primeiro relatório da UNEP a chamar a ultrapassagem de 1,5°C de iminente e inevitável. Até o cenário mais otimista atinge pico de 1,7–1,8°C em meados do século e volta abaixo de 1,5°C até 2100. Com as políticas atuais, o mundo caminha para cerca de 2,8°C; a entrega total dos planos nacionais limitaria o aquecimento a 2,6°C.

A meta de 1,5°C do Acordo de Paris orientou a política climática por mais de uma década, mas vontade política e planos concretos ficaram aquém.

Por que a meta foi perdida?

Emissões em alta

As emissões de gases de efeito estufa continuaram a subir. Michel den Elzen, da Agência de Avaliação Ambiental dos Países Baixos e da Vrije Universiteit, disse: As emissões continuaram a crescer e perdemos vários anos novamente. O mundo precisava queimar menos carvão, petróleo e gás; queimou mais.

Saída dos EUA e planos fracos

A retirada dos EUA do Acordo de Paris sob Trump eliminou quase toda a política climática federal, enquanto novos planos de outros países trouxeram reduções marginais. Inger Andersen, chefe da UNEP, alertou: a ultrapassagem não é rendição, mas cada fração de grau agrava inundações, calor extremo e incêndios.

Dá para limitar a ultrapassagem?

Sim, com ação dramática e imediata. A trajetória de menor ultrapassagem exige cortar emissões em 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, ante 2025; triplicar renováveis até 2035, eliminar o carvão até 2040 e ampliar a remoção de carbono. Den Elzen resumiu: É agora ou nunca.

CenárioPico de aquecimentoCortes necessários
Políticas atuais~2,8°C—
Planos nacionais completos~2,6°C—
Menor ultrapassagem1,7–1,8°C18% até 2030; 45% até 2035; 69% até 2040

Mesmo parando todas as emissões hoje, gases já emitidos teriam de ser removidos por armazenamento de CO2 e reflorestamento em larga escala.

Impactos de ultrapassar 1,5°C

Acima de 1,5°C, recifes de coral quase desapareceriam, a elevação do mar aceleraria e o calor extremo ficaria mais perigoso. Cada 0,1°C adicional custa cerca de 1,2% do PIB global. O relatório alerta para pontos de inflexão irreversíveis, como morte da Amazônia, colapso do gelo e perturbação das correntes atlânticas.

O limite foi defendido por ilhas do Pacífico em Copenhague, em 2009, porque a elevação do mar ameaça sua existência.

Perguntas frequentes

1,5°C é inevitável?

Sim. Nenhum cenário mantém o aquecimento abaixo de 1,5°C; a meta é tornar a ultrapassagem breve e limitada.

O que acontece se ultrapassarmos?

Os impactos pioram a cada fração de grau: clima extremo, perda de ecossistemas, insegurança alimentar e hídrica e risco de pontos de inflexão.

Podemos voltar abaixo de 1,5°C?

Tecnicamente sim, mas exige remoção massiva de CO2, reflorestamento e cortes profundos. O menor cenário volta abaixo de 1,5°C até 2100.

O que é a COP31?

Cúpula climática da ONU em Antalya, Turquia, em novembro de 2026, para discutir o relatório e o segundo Balanço Global.

Quanto as emissões devem cair?

18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, em relação a 2025.

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